A Verdade Não é Democrática – O Erro do Relativismo Intelectual

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A filosofia moderna, quando não se torna um mero fetiche retórico para intelectuais de auditório, é um campo de batalha onde se digladiam concepções antagônicas sobre a realidade e o homem. Para os que ainda se atrevem a pensar sem as muletas do consenso acadêmico, torna-se claro que a grande questão de nossa época não é a descoberta de novas verdades, mas a reconstrução da capacidade humana de reconhecê-las.

A decadência filosófica é fruto de um longo processo de abandono da inteligência em favor da conveniência. Ao destruir os pilares que sustentavam a investigação metafísica, a busca pela verdade objetiva, a ordenação hierárquica do conhecimento e a exigência de coerência interna, os pensadores modernos se entregaram à ilusão de que um discurso coerente é aquele que se adapta aos impulsos psicológicos do momento.

Nessa inversão de valores, a verdade deixa de ser uma realidade objetiva e imutável, passando a ser reduzida a um cálculo de conveniência social, um produto da opinião majoritária ou, mais frequentemente, da manipulação retórica daqueles que dominam o imaginário coletivo.

A consciência humana, antes um instrumento de ascensão espiritual, se converte em um labirinto no qual o indivíduo se perde entre autojustificações e racionalizações, até que sua última convicção seja a de que qualquer busca pela verdade é fútil. O resultado é uma civilização embriagada pela própria ignorância, que confunde a segurança do consenso com a solidez da razão.

Para escapar desse labirinto, é preciso reconstruir a estrutura da consciência, reabilitar a inteligência como instrumento de conhecimento real e resgatar a noção de que a verdade é uma entidade que se impõe ao homem, e não uma abstração moldada por ele. Isso exige não apenas um retorno à metafísica clássica, mas uma reabilitação da coragem intelectual como princípio fundamental do pensamento.

O primeiro passo para essa reconstrução é reconhecer que a verdade não pode ser encontrada sem um compromisso radical com a realidade. O pensamento que se isola da experiência concreta e se reduz a um jogo de categorias e conceitos não é pensamento, é devaneio. A prática filosófica só tem valor se estiver enraizada em uma busca genuína, na qual o indivíduo esteja disposto a sacrificar suas opiniões preexistentes e enfrentar as consequências de reconhecer a verdade, independentemente de suas preferências pessoais.

A filosofia só pode cumprir seu papel enquanto for um campo de investigação desimpedido pela intimidação intelectual dos que impõem mandamentos ideológicos sob a aparência de pensamento crítico. E nesse sentido, o maior avanço filosófico de nossa época não será a formulação de novas teorias, mas a restauração da honestidade intelectual como uma virtude inegociável.


José Rodolfo G. H. de Almeida é escritor e editor do site www.conectados.site

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Truth is Not Democratic – The Error of Intellectual Relativism


When modern philosophy does not become a mere rhetorical fetish for intellectuals in the audience, it is a battlefield where antagonistic conceptions about reality and man clash. For those who still dare to think without the crutches of academic consensus, it becomes clear that the great question of our time is not the discovery of new truths, but the reconstruction of the human capacity to recognize them.

Philosophical decadence is the result of a long process of abandoning intelligence in favor of convenience. By destroying the pillars that supported metaphysical investigation, the search for objective truth, the hierarchical ordering of knowledge and the demand for internal coherence, modern thinkers have given themselves over to the illusion that a coherent discourse is one that adapts to the psychological impulses of the moment.

In this inversion of values, truth ceases to be an objective and immutable reality and is reduced to a calculation of social convenience, a product of majority opinion or, more frequently, of the rhetorical manipulation of those who dominate the collective imagination.

Human consciousness, once an instrument of spiritual ascension, becomes a labyrinth in which the individual gets lost between self-justifications and rationalizations, until his final conviction is that any search for truth is futile. The result is a civilization intoxicated by its own ignorance, which confuses the security of consensus with the solidity of reason.

To escape this labyrinth, it is necessary to rebuild the structure of consciousness, rehabilitate intelligence as an instrument of real knowledge and rescue the notion that truth is an entity that imposes itself on man, and not an abstraction shaped by him. This requires not only a return to classical metaphysics, but a rehabilitation of intellectual courage as a fundamental principle of thought.

The first step towards this reconstruction is to recognize that truth cannot be found without a radical commitment to reality. Thought that isolates itself from concrete experience and reduces itself to a game of categories and concepts is not thought at all, it is daydreaming. Philosophical practice is only valuable if it is rooted in a genuine quest, in which the individual is willing to sacrifice his or her preexisting opinions and face the consequences of recognizing the truth, regardless of his or her personal preferences.

Philosophy can only fulfill its role as a field of inquiry unhindered by the intellectual intimidation of those who impose ideological commandments under the guise of critical thinking. And in this sense, the greatest philosophical advance of our time will not be the formulation of new theories, but the restoration of intellectual honesty as a non-negotiable virtue.


José Rodolfo G. H. de Almeida is a writer and editor of the website www.conectados.site

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