A Escravidão e a "Esquerda" – Lições do Passado
A política moderna não é um épico de avanço moral. É um jogo onde os mesmos rostos, animados por uma fome insaciável de poder, se revezam. O passado é retalhado, reorganizado, submetido a um higienismo narrativo que o adapta às conveniências do presente. O objetivo? Manter o domínio sobre uma massa que, anestesiada pela retórica, não percebe que está sendo conduzida como gado para o mesmo destino de sempre.
O Partido Democrata americano é um caso emblemático dessa artimanha. Hoje, ele se traveste de redentor dos oprimidos, paladino da justiça social, forte da equidade racial. Mas voltemos no tempo e perguntemos a um democrata do século XIX qual era sua bandeira. O discurso político daquela época não se enquadrava rigidamente no eixo “esquerda vs. direita”, assim como hoje, ironicamente, o Partido Democrata também rejeita rótulos definitivos. Prefere a camuflagem de um "centro pragmático", embora todas as agendas que subvertem a ordem social, ideologia de gênero, aborto, racialismo militante, desconstrução da família, tenham sido gestadas em seu ventre.
Essa ambiguidade não é fruto do acaso. A confusão entre "centro", "progressismo" e "justiça social" é um estratagema milimetricamente calculado. A função dessas etiquetas não é iluminar, mas ofuscar. O eleitor comum, acreditando estar escolhendo uma posição equilibrada, se vê arrastado por uma corrente ideológica que, embora se apresente como democrática, opera com a lógica do princípio da servidão.
No século XIX, a economia do Sul americano dependia do trabalho forçado, e os democratas foram seus defensores mais fervorosos. Para eles, a escravidão não era brutalidade, mas necessidade estrutural. Como todo regime que aspira à eternidade, justificava-se com a retórica do "bem maior", a servidão, diziam, assegurava a estabilidade social e a prosperidade econômica. Lincoln e os republicanos insurgiram-se contra essa ordem. A Guerra Civil Americana não foi apenas um confronto militar, foi um embate filosófico e moral entre aqueles que viam a escravidão como pilar da sociedade e aqueles que reconheciam nela um crime contra a dignidade humana.
E quando a guerra terminou, os democratas não se renderam à nova ordem. Pelo contrário, reorganizaram-se. Em 1865, ex-confederados fundaram a Ku Klux Klan, um instrumento de terror político cuja missão era impedir que os negros exercessem os direitos recém-adquiridos. Linchamentos, incêndios, execuções sumárias e, nos bastidores, a conivência dos democratas garantindo que a engrenagem da opressão continuasse girando.
Hoje, a escravidão física foi abolida, mas a servidão mental e ideológica se sofisticou. O Partido Democrata abandonou a escravidão apenas quando ela deixou de ser politicamente útil. Se antes mantinha uma parcela da população cativa pelas correntes, agora o faz pela dependência ideológica e econômica. A segregação trocou de roupagem, não se impõe mais com pelotões de linchamento, mas com narrativas que doutrinam, intimidam e neutralizam qualquer tentativa de dissidência.
A história foi rescrita, higienizada, depurada de seus detalhes incômodos, para que o Partido Democrata, outrora sustentáculo da escravidão e da KKK, emergisse como o grande herói da "justiça social". E qualquer um que ouse questionar essa reconstrução mitológica é imediatamente rotulado de "extremista" e "radical".
A verdade não precisa de adornos, ela não é uma campanha, nem uma narrativa construída para iludir.
Chame de "progressismo", "justiça social", "democracia" ou qualquer outro termo eufônico que caia bem aos ouvidos. É sempre o mesmo truque, reescrever a história, ocultar os crimes do passado e garantir que o monopólio do poder permaneça intocado.
José Rodolfo G. H. Almeida é escritor e editor do site www.conectados.site
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Slavery and the "Left" – Lessons from the Past
Modern politics is not an epic of moral advancement. It is a game in which the same faces, animated by an insatiable hunger for power, take turns. The past is shredded, reorganized, and subjected to a narrative sanitization that adapts it to the conveniences of the present. The goal? To maintain control over a mass that, anesthetized by rhetoric, does not realize that it is being herded like cattle toward the same fate as always.
The American Democratic Party is an emblematic case of this ruse. Today, it disguises itself as a redeemer of the oppressed, a champion of social justice, and a champion of racial equality. But let us go back in time and ask a 19th-century Democrat what his banner was. The political discourse of that era did not fit rigidly into the “left vs. right” axis, just as today, ironically, the Democratic Party also rejects definitive labels. It prefers the camouflage of a “pragmatic center,” even though all the agendas that subvert the social order, gender ideology, abortion, militant racialism, and the deconstruction of the family, were gestated in its womb.
This ambiguity is not the result of chance. The confusion between “center,” “progressivism,” and “social justice” is a meticulously calculated ploy. The function of these labels is not to illuminate, but to obscure. The common voter, believing that he is choosing a balanced position, finds himself swept along by an ideological current that, although it presents itself as democratic, operates with the logic of the principle of servitude.
In the 19th century, the economy of the American South depended on forced labor, and the Democrats were its most fervent defenders. For them, slavery was not brutality, but a structural necessity. Like every regime that aspired to eternity, it justified itself with the rhetoric of the “greater good.” Serfdom, they said, ensured social stability and economic prosperity. Lincoln and the Republicans rebelled against this order. The American Civil War was not just a military confrontation; it was a philosophical and moral clash between those who saw slavery as a pillar of society and those who recognized it as a crime against human dignity.
And when the war ended, the Democrats did not surrender to the new order. On the contrary, they reorganized. In 1865, former Confederates founded the Ku Klux Klan, an instrument of political terror whose mission was to prevent blacks from exercising their newly acquired rights. Lynchings, arsons, summary executions and, behind the scenes, the connivance of the Democrats ensured that the wheels of oppression kept turning.
Today, physical slavery has been abolished, but mental and ideological servitude has become more sophisticated. The Democratic Party abandoned slavery only when it ceased to be politically useful. If before it kept a portion of the population captive by chains, now it does so through ideological and economic dependence. Segregation has changed its appearance; it is no longer imposed with lynch mobs, but with narratives that indoctrinate, intimidate and neutralize any attempt at dissent.
History has been rewritten, sanitized, and purged of its uncomfortable details, so that the Democratic Party, once the supporter of slavery and the KKK, can emerge as the great hero of "social justice." And anyone who dares to question this mythological reconstruction is immediately labeled an "extremist," "radical".
The truth needs no embellishment; it is not a campaign, nor a narrative constructed to deceive.
Call it "progressivism," "social justice," "democracy," or any other euphonious term that sounds good. It's always the same trick: rewriting history, hiding the crimes of the past, and ensuring that the monopoly of power remains untouched.
José Rodolfo G. H. Almeida is a writer and editor of the website www.conectados.site
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