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O Homem Simbólico e a Ilusão da Racionalidade - Arquitetura da Consciência

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  Existe uma característica no espírito humano, o homem continua simbólico, mesmo quando acredita estar sendo racional. Essa frase, à primeira vista simples, contém uma bomba filosófica que, se levada a sério, implode não apenas nossos discursos ideológicos, mas também as ilusões íntimas que sustentam nossa autoimagem moderna. A racionalidade, tão celebrada pelos herdeiros tardios do Iluminismo, nunca foi o trono absoluto da consciência humana. Desde Aristóteles até Jung, passando por Santo Agostinho, Pascal, Merleau-Ponty e Polanyi, há uma insistência, por trás do pensamento lógico existe sempre uma camada pré-lógica, simbólica que molda tudo o que ousamos chamar de “razão”. A questão não é se somos simbólicos, mas como essa simbologia estrutura o próprio ato de pensar. Para compreender o que afirmo quando digo que o homem permanece simbólico mesmo enquanto imagina estar raciocinando, é preciso antes desfazer algumas ilusões linguísticas que se acumularam sobre o nosso vocabulário...

O Ritual - A Iniciação Ideológica no Socialismo

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  A palavra “ritual” provoca duas reações igualmente sintomáticas, um desprezo infantil, fruto do materialismo raso que imagina ter superado o simbolismo humano; ou um fascínio supersticioso, típico dos que crêem que toda prática coletiva é uma porta mística para algum plano oculto. Ambas são caricaturas grosseiras. Ritual é um método de educação da imaginação, uma técnica milenar de moldar a percepção do real para além da mera informação consciente. Quem acha que isso desapareceu com a ciência demonstra apenas ignorância sobre a natureza humana, o homem continua simbólico mesmo quando finge ser racional. O problema é que, enquanto as religiões tradicionais sempre deixaram claro sua natureza transcendental, o socialismo, este messianismo laico disfarçado de ciência, tenta apagar suas próprias raízes simbólicas, fingindo não operar rituais, e não formar sacerdotes. Há nisso uma ironia histórica monumental, nenhuma religião precisou tanto de rituais quanto o socialismo, justamente po...

Quando a Imaginação se Torna Prisão

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  Há poderes que governam o corpo e há poderes que governam o espírito. Mas de todos, o mais profundo é aquele que se instala no imaginário, esse território interior onde o homem concebe o sentido das coisas. Desde Platão, a filosofia intuiu essa verdade. No mito da caverna, os prisioneiros veem apenas sombras projetadas na parede e as tomam por realidade. A imagem precede o conceito; o olhar determina o juízo. O que Platão denunciava não era apenas uma ignorância intelectual, mas uma prisão imaginativa, um condicionamento simbólico. O prisioneiro não está enganado por falta de lógica, mas porque o universo de imagens que o cerca não lhe permite conceber outra realidade além daquela projetada. O primeiro ato de libertação não é racional, mas imaginativo: é preciso ver diferente para começar a pensar diferente. O imaginário, neste sentido, é o fundo ontológico da consciência. Não há pensamento sem imagem, assim como não há palavra sem mundo. A imaginação é a oficina onde o espírito ...