O Homem Simbólico e a Ilusão da Racionalidade - Arquitetura da Consciência
Existe uma característica no espírito humano, o homem continua simbólico, mesmo quando acredita estar sendo racional. Essa frase, à primeira vista simples, contém uma bomba filosófica que, se levada a sério, implode não apenas nossos discursos ideológicos, mas também as ilusões íntimas que sustentam nossa autoimagem moderna. A racionalidade, tão celebrada pelos herdeiros tardios do Iluminismo, nunca foi o trono absoluto da consciência humana. Desde Aristóteles até Jung, passando por Santo Agostinho, Pascal, Merleau-Ponty e Polanyi, há uma insistência, por trás do pensamento lógico existe sempre uma camada pré-lógica, simbólica que molda tudo o que ousamos chamar de “razão”. A questão não é se somos simbólicos, mas como essa simbologia estrutura o próprio ato de pensar. Para compreender o que afirmo quando digo que o homem permanece simbólico mesmo enquanto imagina estar raciocinando, é preciso antes desfazer algumas ilusões linguísticas que se acumularam sobre o nosso vocabulário...